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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Riads

Como já tinha comentado na postagem anterior Riad é o nome que se dá às casas tradicionais da Medina em Marrakesh.
Nos últimos anos a palavra Riad virou uma espécie de sinônimo para "hotel com encanto". Isto se deve a que muitos Riads estão sendo restaurados para se transformarem em pequenos hoteis escondidos nas laberínticas ruelas da Medina de Marrakesh.
O que nos hospedamos se chamava Dar Balthazar (www.darbalthazar.fr), Balthazar com referência a um dos três Reis Magos, o que está associado ao continente africano (para quem não lembra!).
Foi surpreendente chegar no Riad...o lugar era mágico! Com apenas quatro quartos, e cada um deles nomeado e decorado de acordo com um rei mago; Balthazar-Africa, Gaspar-Asia, Melchior-Europa, e o último com nome de Artabán, personagem fictício do conto The Other Wise Man (O outro rei mago), escrito em 1896 por Henry van Dyke.
Todos os quartos têm sacada, que dão ao pátio interior da casa de dois andares, fazendo com que o espaço adquira uma atmosfera íntima e idílica.

Ficamos na Suite Gaspar, decorada com quadros, tecidos e detalhes provenientes da Ásia. Todas as manhãs quando acordávamos tinhamos o café da manhã servido na nossa sacada...hummmm, delícia! Suco de laranja natural, pão caseiro e geléias também feitas em casa. Tudo preparado na hora pelos nossos cordiais anfitriões, que falavam árabe e francês, como todas as pessoas com boa educação em Marrakesh. Nadia e Brahim foram impecáveis, nos ajudaram em tudo o que foi necessário e eram ambos discretíssimos. Nos sentimos como se estivessemos em casa.

 

 


 Tudo isto pelo módico preço de 53€ a noite!!


Marrakesh, destino recomendadíssimo para quem gosta de lugares exóticos, bons preços e toques irresistíveis de charme...sem falar nas maravilhosas massagens dos Hammams (também conhecido como banho turco, o hammam é um lugar com sauna húmida, duchas e geralmente rituais de beleza, utilizado para limpar-se e também para se relaxar. Os hammans têm um importante papel nas culturas do norte da África e do Oriente Médio, onde foram e continuam sendo usados como pontos de reunião social, ritual de higiene e também como elementos arquitectônicos*).
O hammam que eu fui era divino! Só o nome já valia a pena...Hammam 1001 noites (www.Hammam 1001Nuits.com).
Durante duas horas me entreguei totalmente as mãos de Habiba, a senhora que me acompanhou desde o início...
1º me solicitou que entrasse na ducha, me embadurnou de azeites medicinais, me jogou dentro da sauna húmida...uns minutos depois me chamou para uma salinha intermediária onde me esfoliou todo o corpo, do dedo do pé até a cabeça...me untou de barro e me disse que entrasse novamente na sauna.
Depois de uns 10 ou 15 minutos dissorando, Habiba novamente me retirou da sauna, me acompanhou à ducha, me alcançou um roupão e docilmente me acompanhou a uma sala de relax...em poucos minutos estava eu estirada enrolada no roupão...com um chá marroquino fumegante e híper doce nas mãos.
Não satisfeita com todo este ritual...tinha mais... uma vez acabado o chá, Habiba me pediu que subisse as escadas e me dirigisse a sala de massagens! 1 hora de massagem! Que luuuuxo...
Só pra completar minha fantástica estadia em Marrakesh, o que me fez defini-la como "destino perfeito para umas férias com as amigas" ... saindo do hammam, totalmente flutuando, adentrei o laberinto de ruas minúsculas do Zoco (mercado árabe), na Medina e me deixei levar pelo efervecente e interminável mercado a céu aberto...cultura, culinária, massagens e compras...viva Marrakesh!!!

 *Wikipedia

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Curso de Culinária - Marrakesh

Na minha opinião nada melhor que fazer uma atividade corriqueira quando viajando.
Pensei que cozinhar em Marrakesh, além de aprender alguns dos segredos das delícias locais, me ajudaria a entender um pouco mais sobre os marrakeshis (será que se diz assim??).

A experiência foi fantástica! Passamos todo o dia, na compania de Edwina (www.riadmerdoudi.com), uma super simpática senhora australiana e sua equipe marroquina.
Edwina vive há muito tempo em Marrakesh e nos contou várias histórias e causos sobre os hábitos gastronômicos locais, entre outras fofoquinhas.



Muhamed, seu fiel escudeiro nos deu uma aula relâmpago de árabe e nos levou para o mercado para comprar os ingredientes e praticar nosso mais novo vocabulário... 

"salam-a-lecum, a fak atini zugg dindjal "
(= bom dia, por favor 2 berinjelas)

"shokram"
(= obrigada)

"anajei, bes-salama"
(voltarei, até logo)
                                                                                                                                            
Fizemos o que nos foi possível comprando em árabe, e causamos incessáveis ataques de riso nos vendedores de frango,verduras
e especiarias!
A aula de culinária foi no Riad da Edwina, onde ela também recebe hóspedes e organiza excursões.  

Riad é o nome que se dá as casas típicas da Medina em Marrakesh, se hospedar num deles é sem dúvida a melhor maneira de experimentar o verdadeiro espírito da cidade antiga (mais detalhes e fotos sobre os Riads na próxima postagem!!!).

De volta ao Riad, passamos o resto do dia preparando delícias, jogando conversa fora e nos deliciando com o cardápio elaborado:


* frango ao limão(foto ao lado)

* couscous com legumes e castanhas de cajú

* omelete berebere (foto abaixo)



* geléia picante de tomate

* salada de beringela

* folhados de romã com mel e frutos secos

* chá marroquino




Chá Marroquino
* 1 colher (sopa) de chá verde (em folha)
* 1 punhadão de menta (bem grande)
* 1 punhadão de malva
* 1 punhadão de verbena
* açúcar a gosto (o chá marroquino tradicionalmente se serve bem doce)
* 1 litro de água

Ferva metade da água e coloque de molho nela o chá verde. Depois de 5 minutos jogue fora a água e conserve as folhas.
Acrescente o resto da água (já quente) às folhas de chá verde já lavadas.
Adicione o resto das folhas (verbena, menta, malva) e ferva numa chaleira até as folhas subirem à superficie.
Uma vez na superficie, pague o fogo. Acrescente o açúcar e sirva o chá já doce!





quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pra lá de Marrakesh!

Um mês antes de me mudar de Mallorca pra Quito estive em Marrakesh.  Há anos queria visitar a cidade mas nunca tinha a oportunidade...então em setembro fui presenteada pelo maridão, em comemoração aos meus 3.4, com uma escapada à exótica e deliciosa "Cidade Vermelha" (em árabe Medina Al-Ham'rá), mais conhecida como Marrakesh.

Chegamos no final do Ramadã...e pra dizer a verdade fomos recebidos com um pouco de hostilidade. Acredito que era fome e sede, que durante o dia provavelmente assolava os comerciantes. Sem comer nem beber nada desde que o sol nasce até a hora em que o mesmo se põe, com razão ficavam cheios do saco de atender os que em teoria seriam possíveis clientes, mas com o estômago vazio se transformavam num bando de turistas chatos e impertinentes.


No segundo dia na cidade o Ramadã se acabou e a comilança e animação começou! Ebaaaa...só de lembrar me dá água na boca.

Foi uma loucura ver a praça Djemaa el Fna, o centro neurálgico da Medina (parte antiga da cidade), se transformar numa festa animadíssima com barraquinhas de comida e bebida por todos lados além de teatro, música, encantadores de serpentes, amestradores de macacos, etc etc etc...esta noite ficamos horas passeando pela enorme praça de um lado ao outro, indo de uma barraca de kebab a uma de tâmaras, de uma roda de teatro de rua à uma de música berbere.



A comida marroquina é uma delícia! Provei um monte de coisas fantásticas, mas alguma das coisas mais típicas são os chamados "Tajine", que nada mais é que uma carne temperada com diferentes especiarias (seja ovelha ou frango) feito numa panela rasa de barro com uma tampa em forma de cone, e também o couscous (se pronuncia cuscús)...mas não tem nada a ver com o cuscús brasileiro.  O couscous marroquino, também consumido na Argelia, é feito de sêmola de trigo. Se prepara mais ou menos como o arroz e se come como o mesmo, acompanhando carnes ou verduras. (veja foto abaixo)

Outra delícia local são as "Pastillas". Vocês já comeram doce árabe? Aqueles com a massa folhada bem fininha? Pois então, a pastilla é um crepe feito desta massa folhada bem fininha, recheado de frango ou ovelha, preparado com especiarias e frutos secos e coberto com açúcar e canela...hummmmmm!! LOUCURA!




De tanto falar (e ver as fotos...) em couscous, tajine, pastilla, tâmaras...me abriu o apetite! Vou preparar alguma coisa pra comer!

Na próxima postagem seguimos em Marrakesh:

"Curso de Cozinha" com direito a compras dos imgredientes no mercado local e em árabe...e mãos à obra!